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SUR – REVISTA INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS
Revista Número 20 – Solicitação de Artigos

Perspectivas sobre o Movimento Internacional de Direitos Humanos no Século 21
Data limite: 31 de janeiro de 2014

Conectas Direitos Humanos convida estudiosos e profissionais a enviar artigos para a 20ª edição da Revista Sur, a ser publicada em julho de 2014. O número será uma edição comemorativa da revista e tratará das oportunidades e desafios enfrentados pelo movimento internacional de direitos humanos hoje.

A Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos é publicada duas vezes por ano pela Conectas, em parceria e com o apoio da Fundação Carlos Chagas. É editada em três idiomas (inglês, português e espanhol), distribuída gratuitamente para aproximadamente 2.400 leitores em mais de cem países e pode ser acessada na íntegra no endereço www.surjournal.org.

O objetivo da revista é fortalecer o trabalho dos defensores de direitos humanos por meio da promoção de um debate de alta qualidade, primariamente sob a perspectiva dos países do Sul Global, sobre questões relacionadas aos direitos humanos. Contribuições de outras partes do mundo, contudo, também são bem-vindas, especialmente se forem relevantes para a teoria e a prática dos direitos humanos nos países do Sul.

A SUR é indexada nos seguintes bancos de dados acadêmicos: IBSS (International Bibliography of the Social Sciences); DOAJ (Directory of Open Access Journals); e SSRN (Social Science Research Network). A revista também está disponível nos bancos de dados comerciais EBSCO, HEINonline, ProQuest e Scopus, e, gratuitamente, no Google Scholar, ISSUU e ISN Zurich (International Relations and Security Network).

Perspectivas sobre o Movimento Internacional de Direitos Humanos no Século 21

A Revista Sur foi criada há dez anos com o propósito de ser um veículo para aprofundar e fortalecer os vínculos entre acadêmicos do Sul Global preocupados com a temática dos direitos humanos, de forma a ampliar sua voz e sua participação diante de organizações internacionais e universidades. A motivação principal foi a constatação de que, principalmente no hemisfério sul, os acadêmicos desenvolviam seu trabalho de forma isolada, sendo pequeno o intercâmbio entre os pesquisadores de diferentes países. Nesse período, publicamos artigos de dezenas de países sobre questões tão diversas quanto acesso à saúde e medicamentos, justiça transicional, mecanismos regionais e informação e direitos humanos, para citar alguns exemplos, buscando informar as atividades de indivíduos e organizações defensoras de direitos humanos com pesquisas, reflexões e case studies que combinassem rigor acadêmico e interesse prático.

A revista chega ao seu número 20 num cenário bastante diferente do de dez anos atrás. Na última década, vimos potências emergentes do Sul assumirem papel cada vez mais influente na definição da agenda global de direitos humanos – com posições nem sempre muito diversas daquelas assumidas pelas potências “tradicionais”. Testemunhamos também, em algumas dessas potências, centenas de milhares de pessoas tomarem as ruas em protesto às mais variadas formas de injustiça – ainda que o clamor das ruas não tenha, em muitos casos, se traduzido exatamente em justiça social ou política. Participamos ainda da ascensão vertiginosa das redes sociais como instrumento de mobilização e como fórum privilegiado para troca de informações políticas entre usuários.

Esse novo cenário impôs questionamentos ao movimento internacional de direitos humanos, apontando mudanças necessárias para que seu discurso e sua atuação mantenham sua relevância e legitimidade.

Em nossa edição número 20, a Sur gostaria de ouvir a perspectiva de estudiosos e defensores de direitos humanos sobre sua atuação e suas reflexões diante desses impasses. Temos particular interesse em artigos que busquem refletir sobre as questões abaixo:

1.       Quem representamos?A maior parte das organizações de direitos humanos – diferentemente dos governos representativos – não está sujeita a eleições periódicas por meio do voto e não representa necessariamente interesses de classe ou ampla gama de associados (como as organizações camponesas ou sindicatos).  As prioridades destas organizações traduzem fundamentalmente a visão de suas equipes e lideranças e, muitas vezes, suas agendas não estão em consonância com as pautas consideradas prioritárias pela maioria da população das sociedades em que estão ancoradas.É possível e recomendável criar mecanismos de participação local na definição das pautas de estas organizações? Há experiências bem sucedidas nesse sentido? Como criar canais de diálogo com a sociedade em geral para discutir suas prioridades e estratégias?

2.       Como aliar atualidade e impactos de longo prazo?Um dos principais desafios do movimento de direitos humanos é aliar formas “tradicionais” de ativismo (litígio, estudos aprofundados sobre padrões de violação), que procuram incidir de forma estrutural (influenciar políticas, criar precedentes jurídicos etc.), à necessidade de agir rapidamente diante de acontecimentos. Como ter persistência em busca de impacto e um planejamento que organize prioridades, mas, ao mesmo tempo, reagir rapidamente aos fatos do cotidiano? Como as organizações de direitos humanos estão lidando com essa tensão entre “planejado/médio prazo” e a “conjuntura/curto prazo”?

3.       Os direitos humanos ainda são uma linguagem eficaz para produzir mudanças sociais?Sob uma perspectiva histórica, é inegável o sucesso do movimento de direitos humanos em influenciar a elaboração de normas e padrões internacionais e regionais de direitos humanos. Mas a busca pela justiça política e social por meio de normas decididas em foros internacionais e regionais e depois incorporadas em mecanismos nacionais tem produzido os resultados esperados?  Quais foram as lições aprendidas nos últimos anos por organizações focadas em standard-setting de direitos humanos? 

4.       Como as novas tecnologias de informação e comunicação influenciam o ativismo? Agora que indivíduos conseguem se organizar sem o intermédio de organizações, utilizando apenas as redes sociais, muda de alguma forma o papel das organizações de direitos humanos? A atual velocidade da reprodução da informação e a predominância dos textos curtos das redes sociais tornaram obsoletas as formas tradicionais de atuação das organizações, centradas na produção de relatórios? Esse novo timing deixa espaço para reflexões mais densas e rigorosas, que necessariamente levam tempo para ser produzidas (tais artigos acadêmicos, policy papers etc.)? Quem os lê? Há formas novas de produção ou de “embalagem” de conhecimento para informar a ação de ativistas ou para refletir sobre sua ação?

5.       Quais são os desafios de trabalhar internacionalmente a partir do Sul? Acompanhando um processo de mudança global e de maior protagonismo de alguns países emergentes, as grandes organizações de direitos humanos estão abrindo escritórios no Sul (nas palavras da Anistia Internacional, moving closer to the ground). O que, no modo de atuação de essas organizações, mudará com essa transição (nos seus processos de tomada decisão, na relação com as organizações locais, nas relações com os governos de esses países emergentes etc.)? Ao mesmo tempo, organizações do Sul estão assumindo um papel de maior relevância na agenda internacional. Quais são os desafios do trabalho internacional a partir do Sul? Qual é ou poderá ser o impacto da maior diversidade de vozes e lideranças do movimento internacional de direitos humanos? Havendo mais vozes, precisamos de novas ferramentas de coordenação para ganhar maior efetividade? Se sim, quais? 
 

SELEÇÃO DOS ARTIGOS E DIREITOS AUTORAIS

Os artigos enviados para a Revista Sur são avaliados por críticos externos num processo de blind-review. A escolha final dos artigos leva essas avaliações externas em consideração e baseia-se numa comparação dos artigos enviados para cada edição. O Conselho Editorial não revela as razões para a rejeição de artigos.

Como a distribuição da revista é gratuita, infelizmente não podemos remunerar os autores. Em relação aos direitos autorais, a Revista Sur usa a licença Creative Commons 2.5 para publicar os artigos, preservando assim os direitos do autor.
 

FORMATO

As contribuições devem ser enviadas em formato eletrônico (arquivo do Microsoft Word) para o endereço de e-mail [email protected] seguindo o padrão abaixo:

–          Tamanho: 15.000 a 30.000 caracteres com espaços, incluindo bibliografia e notas de rodapé.

–          As notas de rodapé devem ser concisas (as regras para as citações podem ser encontradas em http://www.surjournal.org/rules17.php).

–          Os textos enviados devem incluir:

o   Uma breve biografia do autor (50 palavras no máximo);

o   Um resumo (máximo de 150 palavras);

o   Palavras-chave para classificação bibliográfica; 

o   A data em que o artigo foi escrito.

– Para o corpo do texto, use “Garamond”, tamanho 12 e 1,5cm de espaço entre as linhas;

– Para as referências ao longo do texto no formato (AUTOR, ano, p.), use “Garamond”, tamanho 10;

– Para as notas de fim, use “Garamond”, tamanho 10 e sem espaço entre as linhas;

Importante! Todos os artigos devem seguir as regras de citação, a fim de serem considerados para publicação na Revista Sur.

PRAZO FINAL

Serão aceitos para a Edição No. 20 apenas os artigos recebidos até 31 de janeiro de 2014.